Agustín Rossi deixou claro na coletiva desta terça que o Flamengo está mentalmente preparado para a semana decisiva. O goleiro celebrou a vitória por 2 a 0 sobre o Juventude fora de casa e reforçou a filosofia adotada pelo elenco: pensar de jogo em jogo. Segundo ele, o foco imediato é a partida de quinta-feira, no Maracanã, pela ida das quartas de final da Libertadores; o clássico do fim de semana entra em pauta só depois.
“Agora, quinta-feira é o primeiro jogo das quartas. Vai ser muito importante na nossa casa, com estádio lotado. O principal é nos manter mentalmente fortes e nos preparar da melhor maneira.”
Ex-jogador do Estudiantes, Rossi conhece o ambiente e a tradição do adversário. Ele relativizou a ideia de que a maior dificuldade do confronto seja apenas a técnica em campo ou a decisão fora de casa. Para o goleiro, Libertadores é contexto, e cada detalhe pesa: tática, físico, ambiente e postura competitiva.
“Não tem jogo fácil na Libertadores. Seja na Argentina, Venezuela, Equador… é sempre difícil. Dentro de campo somos 11 contra 11. Vai ser muito físico e disputado, como costuma ser.”
Rossi valorizou o fato de o Flamengo abrir a série no Maracanã. Para ele, fazer um grande primeiro jogo em casa potencializa as chances de classificação na volta, em La Plata.
O goleiro reiterou que a proposta do time não muda por causa do adversário ou de declarações de fora. Se o técnico do Estudiantes falou em “levar o Flamengo ao desconforto”, a resposta do rubro-negro é insistir no plano traçado por Filipe Luís.
“Em casa, mantemos nossa ideia. O fator Maracanã é muito importante e temos mostrado diferença jogando aqui. A perspectiva do jogo não muda.”
Sobre a velha discussão da catimba em jogos contra argentinos, Rossi foi direto: o cenário mudou com a postura recente da arbitragem sul-americana, que tem buscado acelerar o jogo e punir retardos quando necessário. Ao mesmo tempo, ele reconhece que gerir o ritmo em certos momentos faz parte da leitura de partida.
“A Conmebol exige que a arbitragem seja mais dura com perda de tempo. Situações acontecem, mas o árbitro tem força para coibir. Controle de ritmo acontece em milésimos de segundo e pode fazer diferença.”
Indagado sobre possibilidade de vestir a camisa da seleção argentina, Rossi não escondeu o desejo, mas afirmou que não transforma isso em cobrança pessoal. O plano é manter o nível no Flamengo e deixar a convocação ser consequência.
“Se eu fizer meu trabalho aqui, a oportunidade pode chegar. Não tenho pressa. Meu foco é responder pelo Flamengo no dia a dia.”

Rossi destacou o equilíbrio coletivo como base da solidez defensiva que o Flamengo apresentou no Brasileirão e também na Libertadores. Para ele, a pressão começa no ataque, desce pelos volantes e se solidifica na última linha, com entrosamento entre zagueiros e laterais. O goleiro elogiou a execução da ideia e explicou como a comunicação silenciosa também conta.
“Viramos um time difícil de ser vazado. A defesa começa nos atacantes. Eu e os zagueiros temos leitura parecida de bola aérea e saídas. Confiança e estrutura fazem a diferença.”
Ele comentou ainda a vitória sobre o Juventude, citando a solidez mesmo com uma linha defensiva inédita naquele jogo, e reforçou que o time tem respostas quando precisa ajustar peças.
Questionado sobre a defesa que repercutiu nas redes no jogo contra o Juventude, Rossi disse que o treino mental é chave para noites em que o goleiro é pouco acionado, mas precisa estar perfeito no um lance decisivo.
“Às vezes a gente se prepara para uma, duas bolas no jogo. A concentração é o mais importante. Mesmo quando a jogada é invalidada depois, a defesa dá confiança para o time.”
Rossi afirmou viver sua melhor fase no Flamengo. Ele citou trabalhos anteriores com treinadores que já exigiam construção desde trás e explicou por que com Filipe Luís essa característica aparece ainda mais: é um modelo que pede opções constantes de passe e aproximações de zagueiros e volantes para sustentar a posse.
“Sinto que estou na minha melhor forma. Com o Filipe, a saída de bola é ainda mais valorizada e isso ressalta uma qualidade que eu já vinha trabalhando.”
O argentino comentou a troca frequente de percepções com o treinador durante os jogos. Pela posição, ele enxerga linhas e espaços de maneira privilegiada e leva isso à beira do campo quando precisa. A decisão, ressalta, é sempre do técnico, mas a comunicação é uma ferramenta importante para ajustes finos em tempo real.
“O Filipe me dá confiança para falar. Às vezes é ajustar um canal, uma bola parada, um detalhe de posicionamento. Esses ajustes fazem diferença.”
Para fechar, Rossi garantiu que o elenco chega confiante às quartas. Ele pontuou que os que entram do banco têm entregado impacto, citando participações diretas em gols recentes, e disse que o caminho na Liberta é curto, porém duro. A palavra de ordem é concentração máxima.
“Cada jogo é uma final. Detalhes decidem. Acreditamos no nosso trabalho e vamos buscar abrir a série da melhor maneira no Maracanã.”






